2025 está a chegar ao fim, preso apenas por um fio ténue de dias, e como faço todos os anos — e como muitos de nós fazem — sinto a necessidade de parar e olhar para trás. Não por nostalgia vazia, mas por necessidade de compreender. Este exercício de balanço ajuda-me a perceber onde estive, quem fui e, sobretudo, quem me tornei. Não vou mentir: 2025 não foi um ano fácil. Mas também não foi um ano perdido. Aliás, olhando com honestidade, posso dizer que, desde 2020, este acabou por ser o melhor dentro do possível. Nada supera o facto de ter engravidado em 2020, o nascimento do meu filho em 2021 e cada segundo da sua vida desde então — isso é intocável, é o meu milagre maior. Mas fora esse amor absoluto, este ano trouxe-me aprendizagens duras, sim, mas também vitórias silenciosas que merecem ser reconhecidas.
Não foi o ano que eu idealizei, mas foi o ano que Deus planeou para mim. E isso, com o tempo, aprende-se a aceitar. No meio de um mundo cada vez mais instável, e de um Portugal cansado, desgastado e socialmente desigual, dou graças por conseguir viver com dignidade dentro das minhas limitações. Dou graças pelo meu filho, pelos meus pais, pelas pessoas que permanecem e por aquelas que, mesmo à distância, continuam presentes. Nem tudo correu bem, mas nem tudo correu mal — e isso, por si só, já é motivo de gratidão.













