Faz hoje cinco anos que o meu irmão partiu. Cinco anos. Escrever isto ainda me custa, porque há dores que não se acomodam, apenas aprendem a existir connosco. Dizem que o tempo ajuda. Não cura, mas ensina-nos a respirar outra vez, mesmo quando o peito continua pesado. Ensina-nos a viver com a ausência, a fazer silêncio quando a saudade fala mais alto.
O silêncio assusta muita gente. É confundido com ausência, com solidão ou até com fraqueza. Mas, para mim, o silêncio nunca foi vazio. Sempre foi presença. Sempre foi força. Há momentos em que as palavras não chegam, em que a alma pede um intervalo do ruído constante que o mundo impõe. E é nesse espaço aparentemente vazio que tudo ganha clareza. No silêncio, ouço-me melhor. Encontro respostas que nenhuma conversa apressada me daria. Descubro que nem tudo precisa de reação imediata, que nem tudo exige opinião, que respirar fundo antes de falar é, muitas vezes, um ato de maturidade.





