Faz hoje cinco anos que o meu irmão partiu. Cinco anos. Escrever isto ainda me custa, porque há dores que não se acomodam, apenas aprendem a existir connosco. Dizem que o tempo ajuda. Não cura, mas ensina-nos a respirar outra vez, mesmo quando o peito continua pesado. Ensina-nos a viver com a ausência, a fazer silêncio quando a saudade fala mais alto.
Perder um irmão é perder um pedaço da nossa história. É perder alguém que partilhava as mesmas memórias de infância, as mesmas raízes, os mesmos segredos ditos no meio de risos. É uma ausência diferente de todas as outras. Não é apenas alguém que parte; é uma parte de nós que se transforma para sempre.
Nestes cinco anos aprendi que o luto não é uma linha reta. Há dias tranquilos, quase serenos, em que a memória vem leve. E há outros em que a falta é crua, inesperada, como se o tempo não tivesse passado. Aprendi também que a dor não diminui necessariamente — ela muda de forma. Deixa de ser um grito constante e passa a ser uma presença silenciosa que nos acompanha.
A vida continuou. Continuou porque tinha de continuar. E talvez essa seja a maior lição que a perda nos dá: o mundo não para, mesmo quando o nosso mundo parece ter parado. Continuar a viver não é esquecer. É honrar. É carregar o amor connosco e deixá-lo transformar-nos em algo mais consciente, mais atento ao essencial.
Hoje não escrevo apenas com tristeza. Escrevo com saudade, sim, mas também com gratidão por ter tido um irmão que deixou marca na minha vida. Que deixou memórias que ninguém me pode tirar. Que me ensinou, mesmo na ausência, a valorizar o agora, as pessoas, os gestos simples.
Cinco anos depois, continuo a sentir a falta. Mas também continuo a sentir o amor. E isso, ninguém me pode roubar. 🤍
Com carinho,
Daniela Silva
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O tempo passa e as saudades sempre crescem! beijos, chica
ResponderEliminarÉ por isso que os poetas estão sempre dizendo que a saudade é nossa eterna companheira.
ResponderEliminarE é mesmo. Sei como é.
Bjssssssss, marli