Diziam que era estranho, que não fazia sentido.
Mas ele jurava: no bolso do casaco levava neve.
Neve verdadeira. Fria, branca, brilhante. Neve do primeiro dia de dezembro.
Era uma criança como tantas outras — com os joelhos sempre esfolados, o olhar a fugir para longe e uma forma de estar que fazia os adultos franzirem a testa.
“É só imaginação”, diziam, abanando a cabeça.
Mas ele sabia. Guardava neve no bolso. E com ela, tudo o que era bom.




