Olá, queridas almas. 💛
Há situações que nos marcam profundamente, não porque sejamos as vítimas diretas, mas porque nos fazem questionar o rumo que a nossa sociedade está a seguir. Durante dias pensei se devia escrever este artigo. A verdade é que cheguei à conclusão de que o silêncio não muda comportamentos. Pelo contrário, muitas vezes permite que se repitam.
Escrevo este texto com dois objetivos muito claros. O primeiro é chamar a atenção da Auchan para um episódio que presenciei no café da loja de Canidelo, no dia 7 de julho, entre as 14h00 e as 15h30. Se este artigo chegar até à empresa, acredito que poderá facilmente confirmar o sucedido através das câmaras de videovigilância e das pessoas que estavam presentes. Sempre vi a Auchan como uma empresa próxima dos clientes e preocupada com o lado humano. Precisamente por acreditar nisso, acho importante partilhar o que aconteceu.
O segundo objetivo é deixar uma reflexão a todos nós. Tenho sentido que a empatia anda cada vez mais escassa. Vivemos tempos em que parece haver menos paciência, menos respeito e menos capacidade para olhar para o outro como um igual. Na minha opinião, o clima social e político dos últimos anos também contribuiu para que algumas pessoas se sentissem mais confortáveis em expressar preconceitos e hostilidade de forma pública. Isso preocupa-me profundamente, porque Portugal sempre foi um país que associei à solidariedade, à hospitalidade e ao respeito pelas diferenças. Felizmente, continua a ser um Estado de direito, onde ninguém está acima das leis.
Antes de contar o que aconteceu, importa explicar como funciona aquele café. Não existe serviço de mesa. Há normalmente dois funcionários: um prepara cafés, bebidas e refeições, enquanto o outro está responsável pelos pagamentos, pela tabacaria e pelos jogos. Cada cliente faz o pedido ao balcão, paga e leva o tabuleiro para a mesa, tal como acontece num restaurante de fast food. No final, cada um recolhe o seu tabuleiro.
As mesas são para quatro pessoas e, naquele momento, havia duas mesas juntas ocupadas por três mulheres. Na fila estavam, por esta ordem, uma senhora com cerca de 60 anos, duas mulheres brasileiras, negras (só refiro esse facto porque acho impprtante para a história), acompanhadas por quatro crianças, uma delas ainda ao colo, um rapaz com cerca de oito anos, uma menina um pouco mais nova e outra com cerca de doze anos. Seguiam-se um senhor idoso, um homem de etnia cigana, outro senhor também de idade e, por fim, a minha assistente pessoal.
A primeira cliente estava a ser atendida quando o funcionário que servia as refeições saiu do balcão para entregar três sopas, sandes e bebidas nas mesas. Apesar de interromper momentaneamente o atendimento e por infringir as regras da casa, ninguém mostrou qualquer incómodo.
Entretanto chegou um casal de meia-idade. O senhor sentou-se e a esposa entrou na fila.
Assim que a primeira senhora terminou o atendimento, chegou a vez das duas mulheres brasileiras. Nessa altura, o rapaz que as acompanhava, cansado de estar de pé, sentou-se numa cadeira que estava próxima do balcão. Era uma cadeira pertencente a uma das mesas que tinham sido unidas no início do estabelecimento. O menino não fez barulho, não perturbou ninguém e ninguém parecia incomodado.
Ninguém... exceto uma das três mulheres.
Em voz alta disse-lhe:
"Ó miúdo, levanta-te daí que a tua mãe ainda não foi atendida e eu preciso dessa cadeira."
A mãe pediu calmamente ao filho que se levantasse. Não discutiu. Não respondeu. Limitou-se a evitar qualquer conflito.
Mas o ambiente mudou imediatamente.
O homem de etnia cigana comentou, dirigindo-se à mãe do menino:
"Eu não tirava a minha filha dali. Queria ver que caralho tinha culhões para a tirar."
A mulher respondeu em tom provocador:
"Então o quê? Vai-me bater?"
E ele respondeu apenas:
"Eu não bato em mulheres."
Apesar da linguagem menos própria utilizada anteriormente, aquele homem manteve sempre uma postura tranquila. Foi atendido e saiu.
No entanto, o desconforto permaneceu.
Os dois senhores que ficaram continuaram a comentar que se tratava apenas de uma criança e que ninguém tinha sido incomodado. A mulher respondia sempre de forma exaltada, como se fosse a única detentora da razão.
Pouco depois, outra mulher levantou-se igualmente muito exaltada. Sempre que um dos homens tentava falar, era interrompido aos gritos. Chamou-lhes mentirosos, estúpidos repetidamente e chegou a insinuar que estavam alcoolizados, dizendo-lhes para irem beber água.
A situação tornou-se suficientemente tensa para obrigar o segurança a intervir.
Quando percebeu da presença do segurança, começou a chorar e a apresentar-se como vítima da situação. Ainda assim, enquanto era encaminhada para o exterior, agarrou um suporte de guardanapos para o atirar na direção de um dos homens. Felizmente, o segurança conseguiu impedir que o objeto fosse lançado. Então ameaçou-os de que quando os encontrassse na rua fazia e acontecia.
Mesmo já no exterior, continuou aos gritos, chamando mais algumas vezes de estúpidos. E uma funcionária foi buscar um copo de água com açúcar, mas em nenhum momento se dirigiram aoss outros clientes.
Ao longo de toda esta situação, nem eu, nem a minha assistente pessoal, nem a maioria das pessoas presentes interviemos. Não porque concordássemos, mas porque era evidente que qualquer tentativa de diálogo apenas faria crescer o conflito.
Quando terminei o meu café, fiz apenas aquilo que senti que tinha de fazer. Fui junto da mãe daquele menino e pedi-lhe desculpa pelo comportamento que tinha acabado de presenciar. Disse-lhe que lamentava profundamente que tivesse encontrado portugueses capazes de agir daquela forma. Coisa que faço sempre que vejo um testemunho assim, porque nem todos os portugueses são racistas e recuso-me a ficar com um rótulo que não me serve.
Mais tarde, a minha assistente contou-me que uma das mulheres reparou que eu tinha ido falar com aquela mãe e fez sinal às restantes, ficando a olhar de lado e de má cara na minha direção. Não disseram nada. E ainda bem.
Ao recordar tudo isto, não consigo deixar de pensar numa pergunta que nunca terá resposta. Porque é que aquela criança foi tratada daquela forma? Não posso afirmar quais foram as motivações daquelas mulheres. Não sei se teve alguma influência o facto de aquela família ser brasileira, se por serem negros ou ambas as coisas. Apenas sei que, sei que existem casos semelhantes em vários locais do país, nunca tinha assistido a uma reação daquele género. Essa dúvida ficou comigo e continua a inquietar-me. Podia ter sido dirigido a mim ou ao senhor de meia-idade porque não fomos para a fila, mas não falou por sermos portugueses. E no fim de contas, nem precisou da cadeira.
Também acredito que a Auchan tem uma parte de responsabilidade, não pelo comportamento dos clientes, mas por garantir que as regras da casa são aplicadas de forma igual para todos. Todos os que entram naquele espaço são clientes. Todos merecem exatamente o mesmo respeito.
Saí daquele café a pensar que, por vezes, basta um pequeno gesto para mudar completamente o dia de uma criança e de uma mãe. Infelizmente, naquele caso, o gesto foi de hostilidade. Mas acredito que também pequenos gestos de humanidade podem fazer a diferença. Foi por isso que lhes pedi desculpa. Não porque tivesse culpa, mas porque não queria que levassem dali a ideia de que aquele comportamento representava todos os portugueses.
Espero sinceramente que este testemunho sirva para alguma coisa. Que faça refletir quem o ler e, quem sabe, que ajude a evitar que uma situação semelhante volte a acontecer. O respeito não depende da nacionalidade, da cor da pele, da idade ou da condição social. Depende apenas da escolha que fazemos todos os dias entre tratar o outro com dignidade… ou não.
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Escrito com alma e carinho,
💛 Daniela Silva
Autora do Alma Leve
© Daniela Silva, 2026.
Todos os direitos reservados.
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Hola, Daniela.
ResponderEliminarLamentablemente sigue habiendo personas que no aceptan a otras por su color, por su condición sexual, por su origen, pensando que ellas son mucho mejores...
Un beso y buen día.
Te invito a visitar mi espacio también.
Hola, Marisa. 💛
EliminarTienes toda la razón. Es muy triste que todavía existan prejuicios y personas que juzguen a los demás por sus diferencias. Creo que el respeto, la empatía y la humanidad deberían estar siempre por encima de cualquier discriminación. 🤍
Muchas gracias por tu comentario y por la invitación. Con mucho gusto pasaré por tu espacio. 😊
Un beso y que tengas un hermoso día. 😘🌷
Bom dia:- Comportamentos análogos são o dia a dia de muitos e muitos locais em Portugal.... infelizmente.
ResponderEliminar.
Semana feliz. Saudações poéticas
.
“” Sonho de Amor““
.
Boa tarde, Ryk@rdo. 💛
EliminarInfelizmente, também tenho essa sensação. Ainda há situações que mostram que o preconceito e a discriminação continuam presentes no dia a dia, muitas vezes de forma subtil. Ainda há muito caminho a percorrer para que o respeito e a igualdade sejam uma realidade para todos.
Obrigada pela tua reflexão. Desejo-te uma excelente semana. Saudações poéticas! 😊🌷
Art, God, and love have few letters. We need little to know the beauty in our emotions, beyond fairy tales.
ResponderEliminar(ꈍᴗꈍ) Poetic and cinematic greetings.
💋Kisses💋 ©Theda Bara.
Hello, Theda. 💛
EliminarThank you for your beautiful and poetic words. I completely agree that art, God, and love remind us that the deepest beauty is often found in the simplest things. ✨
Thank you for your thoughtful comment and your kindness.
Poetic greetings and kisses to you too! 😘🌷
Olá, Daniela,
ResponderEliminarEsse tipo de comportamento tem sido manifestado em todo o mundo e também no Brasil. Por cá, muitos têm explicado isso como resultante de uma propensão que muitas pessoas já possuíam e que agora se sentem à vontade para expressar. Isso é verdade. Mas há uma outra verdade, mais oculta, que parece ser uma campanha, coordenada por governos, com o objetivo de inflamar as pessoas, pois isso as mantêm alienadas, com relação a importantes medidas, que vêm sendo tomadas contra interesses essenciais das populações.(nas quais, por ironia, as pessoas que agridem também se encontram). Pessoalmente, julgo tudo lamentável e anseio pelo fim dessa triste época.
Beijo e boa semana
Olá, Marly. 💛
EliminarMuito obrigada pela tua reflexão. É realmente um tema que nos faz pensar. Também sinto que, em muitos lugares, se nota um aumento da intolerância e da agressividade nas relações entre as pessoas, o que é muito triste.
Independentemente das causas, acredito que nunca devemos perder a capacidade de respeitar quem é diferente de nós. A empatia, o diálogo e a humanidade continuam a ser o melhor caminho para construirmos uma sociedade mais justa e mais pacífica.
Obrigada por partilhares o teu ponto de vista. Beijinho e uma excelente semana para ti! 😘💛
Daniela entiendo que quizás entre portugueses y brasileños os podéis distinguir por cierto acento que denote la procedencia. Digo esto porque en Portugal he visto personas de color las cuales aun siendo originarias de países que formaron parte del él y llevan generaciones viviendo en Portugal y por el acento se las distingue de los llegados recientemente.
ResponderEliminarEse tipo de personas por desgracia últimamente nos los encontramos por todos lados.
Saludos.
Hola, Tomás. 💛
EliminarSí, entre portugueses y brasileños normalmente es fácil distinguir el acento, aunque compartamos el mismo idioma. 😊
En cualquier caso, creo que el verdadero problema nunca debería ser el origen o el aspecto de una persona, sino la falta de respeto y los prejuicios. Es triste ver que este tipo de comportamientos siguen existiendo en muchos lugares. Ojalá aprendamos a valorar más a las personas por lo que son y no por su nacionalidad, su color de piel o su procedencia.
Gracias por compartir tu reflexión. ¡Un saludo! 👋
Concordo com você. Todos merecem respeito e dedicação. Nada de favoritismos para uns e não para outros.
ResponderEliminarBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Muito obrigada, Emerson. 💛😊
EliminarConcordo contigo. O respeito deve ser para todos, sem distinções nem favoritismos. É isso que torna uma sociedade mais justa, humana e acolhedora.
Obrigada por partilhares a tua reflexão. Desejo-te uma excelente semana e muito sucesso com o Jovem Jornalista! Até mais! 👋💛
It takes a lot of courage to speak up against that kind of behavior, and your decision to apologize to that mother was incredibly powerful. It is devastating to see a child targeted like that, especially when the hostility seems so clearly rooted in prejudice. You handled a tense situation beautifully by offering comfort directly to the victims rather than escalating a shouting match with people who clearly were not open to logic. Spaces like Auchan definitely need to ensure all customers feel safe and respected. Thank you for choosing not to stay silent; small acts of solidarity are exactly how we protect our shared humanity.
ResponderEliminarDear Melody, 💛
ResponderEliminarThank you so much for your thoughtful and heartfelt words. They truly mean a lot to me. I simply couldn't stay silent after witnessing what happened. No child or family should ever have to experience that kind of prejudice.
I felt that apologizing to the mother was the most human thing I could do in that moment. Sometimes a small gesture of kindness can bring comfort, even if it cannot erase the pain. I also hope that places like Auchan continue to promote an environment where everyone feels safe, respected, and welcome.
Thank you again for your kindness and for sharing such a meaningful reflection. Sending you a big hug! 💛🤗
Muito bom este post, vale muito fazer uma reflexão com este texto. Parabéns.
ResponderEliminarArthur Claro
http://www.arthur-claro.blogspot.com
El problema es que las personas nos hemos vuelto miedosas y menos amables. No le costaba nada a esa mujer dejar que el niño se siente. Te mando un beso.
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