30 dezembro, 2025

Retrospectiva 2025


2025 está a chegar ao fim, preso apenas por um fio ténue de dias, e como faço todos os anos — e como muitos de nós fazem — sinto a necessidade de parar e olhar para trás. Não por nostalgia vazia, mas por necessidade de compreender. Este exercício de balanço ajuda-me a perceber onde estive, quem fui e, sobretudo, quem me tornei. Não vou mentir: 2025 não foi um ano fácil. Mas também não foi um ano perdido. Aliás, olhando com honestidade, posso dizer que, desde 2020, este acabou por ser o melhor dentro do possível. Nada supera o facto de ter engravidado em 2020, o nascimento do meu filho em 2021 e cada segundo da sua vida desde então — isso é intocável, é o meu milagre maior. Mas fora esse amor absoluto, este ano trouxe-me aprendizagens duras, sim, mas também vitórias silenciosas que merecem ser reconhecidas.

Não foi o ano que eu idealizei, mas foi o ano que Deus planeou para mim. E isso, com o tempo, aprende-se a aceitar. No meio de um mundo cada vez mais instável, e de um Portugal cansado, desgastado e socialmente desigual, dou graças por conseguir viver com dignidade dentro das minhas limitações. Dou graças pelo meu filho, pelos meus pais, pelas pessoas que permanecem e por aquelas que, mesmo à distância, continuam presentes. Nem tudo correu bem, mas nem tudo correu mal — e isso, por si só, já é motivo de gratidão.

24 dezembro, 2025

★ Dia 24 — Para Ti, que Estás a Ler



Chegámos ao último dia deste calendário feito de palavras, memórias e coração.

Hoje, não venho contar histórias.
Hoje, só te quero desejar um Natal cheio do que realmente importa:
Afeto, presença, paz no peito e alguma leveza nos ombros.

23 dezembro, 2025

★ Dia 23 — A Luz que Não se Apaga



Há luzes que piscam e se apagam.
Há outras que queimam, e deixam de brilhar.
Mas há luzes que ficam acesas cá dentro — mesmo quando a casa está escura, mesmo quando os dias custam.

22 dezembro, 2025

★ Dia 22 - Quando o Abraço é Casa


Às vezes, não precisamos de palavras. Às vezes, basta um abraço. É nele que encontramos consolo, calor e pertença. Um abraço que envolve, que acalma, que nos lembra que estamos vivos e que pertencemos a alguém, a algum lugar. Que neste dia do Advento possas ser casa no abraço que dás, e encontrar abrigo no abraço que recebes.

21 dezembro, 2025

★ Dia 21 — A Criança que Guardava Neve no Bolso


Diziam que era estranho, que não fazia sentido.

Mas ele jurava: no bolso do casaco levava neve.
Neve verdadeira. Fria, branca, brilhante. Neve do primeiro dia de dezembro.

Era uma criança como tantas outras — com os joelhos sempre esfolados, o olhar a fugir para longe e uma forma de estar que fazia os adultos franzirem a testa.
“É só imaginação”, diziam, abanando a cabeça.
Mas ele sabia. Guardava neve no bolso. E com ela, tudo o que era bom.

20 dezembro, 2025

★ Dia 20 - Entre o Silêncio e a Esperança


 

Há uma beleza no silêncio que muitas vezes esquecemos. Ele não é vazio, não é ausência, mas sim um lugar cheio de significado. É nele que o coração escuta com mais clareza, que a alma encontra repouso e que a esperança renasce com suavidade. O silêncio tem a capacidade de nos devolver a nós mesmos, de nos lembrar que não precisamos estar sempre em movimento ou em ruído para viver momentos verdadeiramente plenos.