E isto tudo para dizer que já passou o primeiro mês de escola do Francisco. E eu já tenho feedback para vos contar.
Em primeiro lugar, sinto que escolhi mesmo a melhor escola para ele. Além de ficar a poucos metros de casa, por direito, por ser especial, tem transporte da Câmara Municipal, que o vem buscar e trazer. Para mim, isso é uma ajuda enorme e uma tranquilidade que não consigo explicar.
Depois das aulas, tem apoio durante a tarde e quatro atividades: karaté que já experimentou na última quinta-feira e adorou, ginástica, música, ambas já fazia na escola anterior, por isso, já tinha na escola anterior, sei que gosta e dança, salvo erro é à segunda-feira, por isso vai experimentar, penso que vai gostar pois na escola anterior ensaiava uma dança para a festa de fim de ano. Se mais tarde percebermos que não gosta de alguma, posso sempre tirá-lo, mas acredito que vai gostar.
Como já vos expliquei, o maior desafio do meu filho não é tanto o autismo, mas a hiperatividade. Por isso, quanto mais ocupado e estimulado estiver, melhor para ele. Quando está parado, aborrece-se rapidamente, quer apenas ecrãs e começam os disparates.
Também houve uma mudança muito grande na alimentação.
Todos, espero eu, sabemos que a alimentação pode ser um desafio para muitas crianças autistas. O Francisco não queria sopa, legumes, fruta, com exceção da banana, e praticamente não bebia água.
Nos primeiros dias custou-lhe começar a experimentar estas coisas, mas, salvo erro, ao quarto dia já começou a comer. Talvez o facto de a escola ter a própria horta também tenha despertado a sua curiosidade.
E depois há aquilo que, para mim, vale mais do que tudo: ele chega a casa feliz e bem-disposto.
Isso acalma o meu coração de mãe.
Logo no primeiro dia, quando o fui buscar, saiu a correr e disse-me: “Mãe, fiz muitos amigos!”
E desde então, quase todos os dias, chega a casa e conta-me alguma coisa que fez ou que comeu, apesar de eu saber as refeições, porque sou eu quem as marca.
Também costumo cruzar-me com a educadora no supermercado e vamos conversando. Ela própria se surpreende com ele. Diz que, desde o primeiro dia, se integrou muito bem e que os amigos também gostaram dele logo de início.
Ele tem trabalhado muito e já começa a fazer coisas que antes ainda precisava de ajuda para conseguir. Já diz frases completas sozinho. Um dia, pediram às crianças para dizerem uma frase com a palavra “gelado” e ele foi logo o primeiro, dizendo, por iniciativa própria: “Eu gosto muito de gelado.”
E já escreve sozinho o nome, quando antes precisava de o copiar.
No meio de tudo isto, a educadora disse-me uma coisa que me deixou de coração cheio: para eu me orgulhar muito dele, porque tem muito potencial e porque acredita que, no próximo ano letivo, poderá estar mesmo no primeiro ano.
E eu? Eu já me orgulho dele todos os dias. ❤️
Ainda só passou um mês, eu sei. Há muito caminho pela frente, muitas aprendizagens e certamente alguns desafios.
Mas, por agora, vejo um menino feliz, integrado, estimulado e a descobrir que é capaz de muito mais do que às vezes pensamos.

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