09 outubro, 2026

Há Memórias que Chegam com Cheiro de Chuva

 

Há memórias que chegam com o cheiro da chuva 🍂

Olá, queridas almas. 💛

Há qualquer coisa no cheiro da chuva que me leva imediatamente para trás no tempo.

Não sei explicar muito bem porquê, mas basta chegar aqueles primeiros dias de outono, a chuva começar a bater nas janelas e o ar ficar com aquele cheiro tão próprio da terra molhada para algumas memórias aparecerem sem serem convidadas.

E quase sempre me levam à infância.

Lembro-me da escola, dos dias mais frescos, dos casacos que começávamos a usar e daquela sensação de chegar a casa depois de um dia inteiro fora. Na altura, tudo parecia tão normal. Não sabíamos que um dia íamos sentir saudades precisamente dessas coisas tão simples.

Hoje penso nisso e acho curioso como a nossa memória funciona.

Não guarda apenas os grandes acontecimentos. Guarda cheiros, sons, lugares e pequenos momentos que, na altura, nem sequer achávamos importantes.

Uma tarde de chuva podia ser apenas uma tarde de chuva. Hoje pode trazer-me de volta uma sensação inteira.

Lembro-me também daquela vontade de chegar a casa quando o tempo estava cinzento. Havia qualquer coisa de reconfortante em saber que, depois da escola, vinha o aconchego de casa, a família e aquele ambiente mais quentinho enquanto lá fora continuava a chover.

Talvez seja por isso que o outono me desperta tantas memórias.

Há qualquer coisa nesta estação que me faz abrandar e reparar mais nas coisas. Talvez porque a chuva nos obriga, de certa forma, a ficar mais tempo dentro de casa. E, quando ficamos mais quietos, também temos mais espaço para recordar.

Às vezes dou por mim a pensar em pessoas que fizeram parte da minha infância, em momentos que já ficaram tão longe e em coisas que entretanto mudaram completamente.

A vida foi acontecendo.

Nós crescemos.

As pessoas mudaram.

Algumas ficaram, outras seguiram outros caminhos.

E aquelas tardes que pareciam não ter nada de especial tornaram-se, sem darmos conta, pedaços importantes da nossa história.

Há memórias que me fazem sorrir. Outras deixam aquela pontinha de saudade que aperta o coração durante uns segundos. Mas gosto de as receber quando aparecem.

Porque fazem parte de mim.

E talvez seja essa a parte bonita de crescer: perceber que não precisamos de voltar atrás para continuarmos ligados àquilo que fomos.

Podemos guardar a criança que fomos dentro da mulher que somos hoje.

Por isso, quando voltar a chover e aquele cheiro me trouxer uma memória antiga, vou deixá-la ficar mais um bocadinho.

Sem pressa.

Porque há memórias que chegam com o cheiro da chuva e, mesmo depois de tantos anos, ainda sabem a casa. 

Com carinho, sempre.
Com alma, acima de tudo.

Daniela Silva 💛
Alma Leve

© Daniela Silva, 2026.

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