Há memórias que chegam com o cheiro da chuva 🍂
Olá, queridas almas. 💛
Há qualquer coisa no cheiro da chuva que me leva imediatamente para trás no tempo.
Não sei explicar muito bem porquê, mas basta chegar aqueles primeiros dias de outono, a chuva começar a bater nas janelas e o ar ficar com aquele cheiro tão próprio da terra molhada para algumas memórias aparecerem sem serem convidadas.
E quase sempre me levam à infância.
Lembro-me da escola, dos dias mais frescos, dos casacos que começávamos a usar e daquela sensação de chegar a casa depois de um dia inteiro fora. Na altura, tudo parecia tão normal. Não sabíamos que um dia íamos sentir saudades precisamente dessas coisas tão simples.
Hoje penso nisso e acho curioso como a nossa memória funciona.
Não guarda apenas os grandes acontecimentos. Guarda cheiros, sons, lugares e pequenos momentos que, na altura, nem sequer achávamos importantes.
Uma tarde de chuva podia ser apenas uma tarde de chuva. Hoje pode trazer-me de volta uma sensação inteira.
Lembro-me também daquela vontade de chegar a casa quando o tempo estava cinzento. Havia qualquer coisa de reconfortante em saber que, depois da escola, vinha o aconchego de casa, a família e aquele ambiente mais quentinho enquanto lá fora continuava a chover.
Talvez seja por isso que o outono me desperta tantas memórias.
Há qualquer coisa nesta estação que me faz abrandar e reparar mais nas coisas. Talvez porque a chuva nos obriga, de certa forma, a ficar mais tempo dentro de casa. E, quando ficamos mais quietos, também temos mais espaço para recordar.
Às vezes dou por mim a pensar em pessoas que fizeram parte da minha infância, em momentos que já ficaram tão longe e em coisas que entretanto mudaram completamente.
A vida foi acontecendo.
Nós crescemos.
As pessoas mudaram.
Algumas ficaram, outras seguiram outros caminhos.
E aquelas tardes que pareciam não ter nada de especial tornaram-se, sem darmos conta, pedaços importantes da nossa história.
Há memórias que me fazem sorrir. Outras deixam aquela pontinha de saudade que aperta o coração durante uns segundos. Mas gosto de as receber quando aparecem.
Porque fazem parte de mim.
E talvez seja essa a parte bonita de crescer: perceber que não precisamos de voltar atrás para continuarmos ligados àquilo que fomos.
Podemos guardar a criança que fomos dentro da mulher que somos hoje.
Por isso, quando voltar a chover e aquele cheiro me trouxer uma memória antiga, vou deixá-la ficar mais um bocadinho.
Sem pressa.
Porque há memórias que chegam com o cheiro da chuva e, mesmo depois de tantos anos, ainda sabem a casa.
Com carinho, sempre.
Com alma, acima de tudo.
Daniela Silva 💛
Alma Leve
© Daniela Silva, 2026.

Sem comentários:
Enviar um comentário