10 fevereiro, 2026

Dias Especiais | Carnval + Sugestões de Fatos Feitos com o que Há em Casa

Este ano, o Carnaval chega cedo — 17 de fevereiro.

E confesso-vos, com toda a honestidade: é uma comemoração de que nunca gostei. Desde que tomei verdadeira consciência da sua origem pagã, deixou de fazer sentido para mim enquanto mulher cristã. Para mim, fé não é algo que se ajusta conforme a ocasião; é algo que se vive de forma coerente, mesmo quando isso nos coloca em contracorrente.

Dito isto, também acredito profundamente numa coisa: a inocência das crianças.

Eu própria celebrei o Carnaval durante muitos anos sem qualquer intenção ou consciência do que estava por trás. E por isso, não considero errado permitir que as crianças se mascarem, brinquem e se divirtam. Para elas, é apenas isso — brincadeira, imaginação, alegria simples. E isso também conta.

Na escolinha do Francisco, este ano o tema do ano letivo é o Cineteatro. Foi pedido às famílias que, em conjunto com a criança, construíssem uma máscara alusiva a esse tema, para apresentar no dia 12. Esse processo já está a acontecer e falarei sobre ele mais tarde, com mais detalhe.

No entanto, no dia 13 haverá o cortejo de Carnaval, e aí as crianças devem ir vestidas de casa, como quiserem.
Como sabem, não estou num momento financeiro folgado, por isso a solução passa — mais uma vez — por fazer algo com o que já tenho em casa. Criatividade, reaproveitamento e intenção continuam a ser as minhas palavras-chave.

Deixo-vos abaixo 6 ideias de fatos simples, “normais”, económicos e possíveis, para quem está na mesma situação que eu.

🎭 6 ideias de fatos simples para o cortejo de Carnaval

1. Super-herói(a) caseiro



Materiais:

  • Camisola lisa

  • Calças ou leggings

  • Lençol ou pano velho (para capa)

  • Cartolina para símbolo

Como fazer:
Criar um símbolo simples em cartolina, prender à camisola e usar o pano como capa. Fácil, rápido e as crianças adoram.

2. Artista / Pintor

Materiais:

  • Camisa velha branca

  • Tintas ou canetas de tecido

  • Boina ou chapéu

  • Pincel velho

Dica:
Deixar a criança “pintar” a camisa com manchas coloridas. Fato criativo e divertido.

3. Cozinheiro

Materiais:

  • T-shirt ou camisola branca

  • Chapéu de cozinha

  • Avental

  • Utensílios de preferência de brincar

Dica:

Adicionar maquilhagem como se fossem nódoas de molho e/ou farinha e está feito. Clássico e intemporal.

4. Polícia


 Materiais:
  • Roupa azul marinho ou preta
  • bóina
  • Distintivo feito à mão
  • acessórios: bigode, algemas, óculos de sol
Dica.

Com a criança, façam um distintivo pode ser de cartão/cartolina/eva/feltro.

5. Animal 

Materiais:
  • Fato de treino

  • Cartolina ou feltro

  • Arco de cabelo

Como fazer:
Criar orelhas (gato, coelho, urso) e um rabinho. Minimalista e eficaz e, no caso do leão, uma touca ou cachecol peludos para a juba.

6. Médico


Materiais:

  • Roupa branca

  • Objetos simbólicos

Como fazer:
Nada de extravagante — só representar o que eles veem e admiram.

No fundo, o mais importante não é o disfarce perfeito, mas o momento partilhado, o tempo em conjunto e a alegria simples. As crianças não medem o valor das coisas pelo preço — medem-no pela atenção, pela presença e pelo amor.

E isso, felizmente, continua ao nosso alcance 🤍

Com carinho,
Daniela Silva

© Daniela Silva — Todos os direitos reservados.

3 comentários:

  1. Conheci minha mulher em 1969, em um baile de carnaval. Toda a minha vida adulta eu passei ao lado dela. Sempre gostamos de carnaval, da alegria e descontração próprias dessa festa. Aqui no Brasil as comemorações extrapolaramas datas oficiais e hoje duram uma semana ou mais. Nunca me preocupei com sua origem pagã. Pelo contrário, sempre apreciei o fato de ser o carnaval (brasileiro) a última grande orgia pagã permitida. Porque aqui no Brasil há formas distintas de brincar o carnaval: as festas infantis dentro de clubes, os desfiles de escola de samba que são feitos para ser vistos das arquibancadas e televisionados, os bailes de gala para que a alta sociedade se exiba (uns para os outros, naturalmente) e o carnaval de rua. Esse sim, que atrai multidões, pois estão todos a fim de se divertir, namorar e (eventualmente)se embriagar, usando fantasias improvisadas ou quase roupa nenhuma. E depois, tem a quaresma para que os que creem espiem suas faltas e culpas (para fazer tudo igual nos próximos carnavais). Para não ficar muito extenso, pararei aqui, mas farei novo comentário só para transcrever um poema escrito há muito tempo.

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  2. Em 1919 o poeta Manoel Bandeira publicou este poema:

    Quero beber! Cantar asneiras
    No esto brutal das bebedeiras
    Que tudo emborca e faz em caco…
    Evoé Baco!

    Lá se me parte a alma levada
    No torvelim da mascarada,
    A gargalhar em douro assomo…
    Evoé Momo!

    Lacem-na toda, multicores,
    As serpentinas dos amores,
    Cobras de lívidos venenos…
    Evoé Vênus!

    Se perguntarem: Que mais queres,
    além de versos e mulheres?
    – Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!…
    Evoé Baco!

    O alfange rútilo da lua,
    Por degolar a nuca nua
    Que me alucina e que não domo!…
    Evoé Momo!

    A Lira etérea, a grande Lira!…
    Por que eu extático desfira
    Em seu louvor versos obscenos,
    Evoé Vênus!

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  3. Eu também não festejo nem Carnaval, nem Halloween.
    Mais depressa visto-me a rigor para uma feira medieval ou um jantar literário do século 15 :)
    Bjs

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