E confesso-vos, com toda a honestidade: é uma comemoração de que nunca gostei. Desde que tomei verdadeira consciência da sua origem pagã, deixou de fazer sentido para mim enquanto mulher cristã. Para mim, fé não é algo que se ajusta conforme a ocasião; é algo que se vive de forma coerente, mesmo quando isso nos coloca em contracorrente.
Dito isto, também acredito profundamente numa coisa: a inocência das crianças.
Eu própria celebrei o Carnaval durante muitos anos sem qualquer intenção ou consciência do que estava por trás. E por isso, não considero errado permitir que as crianças se mascarem, brinquem e se divirtam. Para elas, é apenas isso — brincadeira, imaginação, alegria simples. E isso também conta.
Na escolinha do Francisco, este ano o tema do ano letivo é o Cineteatro. Foi pedido às famílias que, em conjunto com a criança, construíssem uma máscara alusiva a esse tema, para apresentar no dia 12. Esse processo já está a acontecer e falarei sobre ele mais tarde, com mais detalhe.
Deixo-vos abaixo 6 ideias de fatos simples, “normais”, económicos e possíveis, para quem está na mesma situação que eu.
🎭 6 ideias de fatos simples para o cortejo de Carnaval
1. Super-herói(a) caseiro
Materiais:
Camisola lisa
Calças ou leggings
Lençol ou pano velho (para capa)
Cartolina para símbolo
2. Artista / Pintor
Materiais:
Camisa velha branca
Tintas ou canetas de tecido
Boina ou chapéu
Pincel velho
3. Cozinheiro
Materiais:
T-shirt ou camisola branca
Chapéu de cozinha
Avental
Utensílios de preferência de brincar
4. Polícia
- Roupa azul marinho ou preta
- bóina
- Distintivo feito à mão
- acessórios: bigode, algemas, óculos de sol
5. Animal
Fato de treino
Cartolina ou feltro
Arco de cabelo
6. Médico
Materiais:
Roupa branca
Objetos simbólicos
No fundo, o mais importante não é o disfarce perfeito, mas o momento partilhado, o tempo em conjunto e a alegria simples. As crianças não medem o valor das coisas pelo preço — medem-no pela atenção, pela presença e pelo amor.
E isso, felizmente, continua ao nosso alcance 🤍
© Daniela Silva — Todos os direitos reservados.







Conheci minha mulher em 1969, em um baile de carnaval. Toda a minha vida adulta eu passei ao lado dela. Sempre gostamos de carnaval, da alegria e descontração próprias dessa festa. Aqui no Brasil as comemorações extrapolaramas datas oficiais e hoje duram uma semana ou mais. Nunca me preocupei com sua origem pagã. Pelo contrário, sempre apreciei o fato de ser o carnaval (brasileiro) a última grande orgia pagã permitida. Porque aqui no Brasil há formas distintas de brincar o carnaval: as festas infantis dentro de clubes, os desfiles de escola de samba que são feitos para ser vistos das arquibancadas e televisionados, os bailes de gala para que a alta sociedade se exiba (uns para os outros, naturalmente) e o carnaval de rua. Esse sim, que atrai multidões, pois estão todos a fim de se divertir, namorar e (eventualmente)se embriagar, usando fantasias improvisadas ou quase roupa nenhuma. E depois, tem a quaresma para que os que creem espiem suas faltas e culpas (para fazer tudo igual nos próximos carnavais). Para não ficar muito extenso, pararei aqui, mas farei novo comentário só para transcrever um poema escrito há muito tempo.
ResponderEliminarEm 1919 o poeta Manoel Bandeira publicou este poema:
ResponderEliminarQuero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco…
Evoé Baco!
Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em douro assomo…
Evoé Momo!
Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos…
Evoé Vênus!
Se perguntarem: Que mais queres,
além de versos e mulheres?
– Vinhos!… o vinho que é o meu fraco!…
Evoé Baco!
O alfange rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que não domo!…
Evoé Momo!
A Lira etérea, a grande Lira!…
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
Evoé Vênus!
Eu também não festejo nem Carnaval, nem Halloween.
ResponderEliminarMais depressa visto-me a rigor para uma feira medieval ou um jantar literário do século 15 :)
Bjs