28 setembro, 2026

Uma Rosa Azul, Um Sequestro, Um Professor

Olá, queridas almas. 💛

Há histórias que começam com uma coisa tão simples que ninguém imagina onde podem terminar. Se gostarem e disserem que querem mais, trago uma segunda parte desta história, criada por mim, mas com alguns trechos do poema Cariocas de Carlos Drummond de Andrade. Também, se quiserem, podem sugerir temas para escrita criativa.

Esta começou com uma rosa azul.

A rosa apareceu numa segunda-feira de manhã, pousada sobre a secretária da professora Helena, dentro de um pequeno frasco de vidro. Não tinha cartão. Não tinha nome. Apenas um pedaço de papel com uma frase:

“Alguns segredos florescem onde ninguém os procura.”

Helena ficou alguns segundos a olhar para aquelas palavras.

Nunca tinha recebido uma rosa azul. E, naquela tarde, desapareceu.

Quando perceberam que não tinha ido buscar o filho à escola e que não respondia ao telefone, chamaram a polícia. A sala foi revistada, mas não encontraram nada que explicasse o desaparecimento.

Apenas o frasco. A rosa tinha desaparecido. No dia seguinte, o professor Miguel apareceu na escola como se nada tivesse acontecido. Era colega de Helena há quase dez anos. Calmo, educado e sempre disposto a ajudar.

Mas Clara, uma antiga aluna de Helena, reparou numa coisa estranha. Miguel nunca perguntava:

“Encontraram a Helena?”

Perguntava apenas:

“Já descobriram onde ela está?”

Foi então que Clara se lembrou de uma conversa que tivera com Helena meses antes.

— Se algum dia receberes uma rosa azul, não confies na primeira pessoa que te parecer demasiado simpática.

Na altura, Clara tinha rido. Agora já não achava graça nenhuma. Nessa noite, encontrou uma caixa antiga escondida no armário da biblioteca. Lá dentro havia fotografias, cartas e recortes de jornais. Um deles contava o desaparecimento de uma jovem professora, vinte anos antes. O caso nunca tinha sido resolvido.

Clara pegou numa fotografia. No casaco da professora desaparecida estava presa uma pequena rosa azul. Sentiu um arrepio. No fundo da caixa encontrou outra fotografia. Nela estavam Helena e Miguel, muitos anos mais novos. Atrás deles aparecia uma casa abandonada. A mesma casa mencionada nos recortes.

Clara percebeu que havia muito mais naquela história do que alguém queria contar. Mas, antes que pudesse sair da biblioteca, ouviu passos. Miguel apareceu à porta.

— Encontraste a caixa.

Clara recuou.

— Onde está a professora Helena?

Miguel ficou em silêncio durante alguns segundos.

— Viva.

— Então foste tu que a levaste?

— Fui.

Clara não conseguia acreditar. Miguel aproximou-se devagar.

— Helena descobriu a verdade sobre o desaparecimento daquela professora. Eu escondi-a porque sabia que, se ela falasse, alguém poderia fazer-lhe mal.

Nesse momento, uma porta abriu-se atrás deles.

Helena apareceu. Estava assustada, cansada, mas viva.

Clara respirou de alívio.

— E a rosa azul? — perguntou.

Helena aproximou-se da janela.

No jardim da escola havia uma velha roseira. Entre todas as flores vermelhas, uma única rosa azul acabava de abrir.

— Essa — respondeu Helena — é a parte da história que ainda não conseguimos explicar.

O telemóvel de Clara vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido.

“Agora já sabem onde procurar.”

A mensagem desapareceu segundos depois. As três ficaram em silêncio. Lá fora, a rosa azul balançava suavemente ao vento. E, pela primeira vez, Clara percebeu que talvez aquela história não tivesse começado naquela segunda-feira. Talvez tivesse começado vinte anos antes.

E talvez ainda estivesse longe de terminar.

Com carinho, sempre.
Com alma, acima de tudo.

Daniela Silva 💛
Alma Leve

© Daniela Silva, 2026.

2 comentários:

  1. Olá*
    Gostei.
    Muito suspense,
    Gostava de saber o que aconteceu 20 anos atrás.
    Abraço e brisas doces **

    ResponderEliminar
  2. Una bonita historia la que nos dejaste en esta publicación.

    Saludos.

    ResponderEliminar

❮ 1 2 3 4 ❯