Há decisões que tomamos porque temos de tomar, mesmo quando o coração não está preparado. A mudança de escola do Francisco foi uma dessas decisões.
A muito custo para mim, tive de o tirar de onde estava e colocá-lo numa escola pública. E quero deixar claro que não menosprezo o ensino público. Aliás, quando terminasse a pré-escola, ele iria para o público. O que me assusta é aquilo que vivi no passado e que, inevitavelmente, me faz pensar no futuro dele.
A escola anterior ficava a cerca de um quilómetro de casa. Não tínhamos transporte público direto e era o meu pai, na mota, quem o levava e ia buscar. Nos dias de chuva, isso não era possível e, apesar dos vários pedidos de transporte à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia, nunca conseguimos uma solução.
Entretanto, no início deste ano, o meu pai foi diagnosticado com Alzheimer. Fisicamente está bem, mas cognitivamente já não é a mesma coisa e o médico proibiu-o de conduzir.
Foi aí que percebemos que tínhamos mesmo de mudar.
A nova escola fica a cinco minutos de casa. É uma das melhores da zona e muitos dos amigos do Francisco também vão para lá. Mesmo seguindo para o ensino primário, continuam na mesma escola. Isso tranquiliza-me.
Mas o medo continua.
Eu frequentei o ensino público e, desde cedo, passei por situações de bullying. O que vivi nessa altura não foi sequer o pior. O verdadeiro bullying aconteceu no ensino secundário, por parte de colegas, docentes e elementos da equipa técnica.
Passaram mais de vinte anos e ainda tenho uma ferida aberta.
Não é rancor. Perdoar não significa esquecer, nem significa que deixe de doer.
Há quem ache que bullying é “frescura”. Não é. Dependendo da gravidade, pode deixar marcas que nos acompanham durante muitos anos e afetar profundamente a nossa saúde mental.
Talvez por isso tenha tanto medo pelo Francisco.
Ele tem autismo, ainda que ligeiro, e também tem hiperatividade. E ser ligeiro não significa ser fácil. Significa apenas que existem características e necessidades que precisam de ser compreendidas e respeitadas.
Tenho medo de que alguém não o compreenda. De que não tenham paciência. De que ser diferente volte a ser motivo para alguém magoar.
Como mãe, queria poder protegê-lo de tudo.
Mas não posso.
Posso estar presente. Posso ouvi-lo. Posso ensiná-lo que pode falar comigo sobre tudo e que nunca deve ter vergonha de pedir ajuda.
E posso confiar.
Confiar na escola, nas pessoas que vão acompanhá-lo e, acima de tudo, em Deus.
Que Deus proteja o meu menino nesta nova etapa. Que lhe coloque no caminho pessoas boas e que me dê a mim a serenidade necessária para aceitar aquilo que não posso controlar.
É uma mudança que aconteceu por necessidade, mas quero acreditar que também pode ser um novo começo.
Eu vou com medo, sim.
Mas vou com esperança.
Que Deus o proteja. Sempre.
Com carinho, sempre.
Com alma, acima de tudo.
Daniela Silva 💛
Alma Leve
© Daniela Silva, 2026.

Há momentos que decisões precisamos fazer! Daqui fico torcendo para que ele seja bem feliz na nova escola e que tudo de melhor aconteça!
ResponderEliminarBoa sorte e fica bem! beijos, chiuca
A vida muitas vezes nos força a tomar decisões, sem que a gente esteja de fato preparada. Mas é preciso ter fé e esperança, para que tudo saia do melhor jeito possível. Bullying é uma prática terrível, que precisa ser criminalizada. Porém, tendo a experiência que tens, haverás de saber como proteger o teu filho.
ResponderEliminarBeijo
Es duro sufrir acoso es algo que no se olvida. Ojala tu hijo no sufra eso y le vaya bien en la escuela. Te mando un beso.
ResponderEliminarAcredito que a parte mais difícil de mudar de escola durante a juventude reside no desafio, e na oportunidade, de fazer novos amigos. Para crianças e adolescentes, a escola é o principal ambiente de socialização; no entanto, nem todos os "lares" oferecem um clima de companheirismo. O bullying é um problema sério, e deixar um ambiente confiável onde também existe preconceitos provavelmente desperta uma mistura de emoções, como o medo da rejeição por parte de alguns e a saudade dos laços compartilhados com amigos verdadeiros. Ainda assim, mantenha o foco e a dedicação, e tudo dará certo.
ResponderEliminarSaúde a você — Drª. Jéssica Mayra
Yo de todos hermanos soy el único que siempre fue a un colegio publico durante mis estudios, quizás porque ya no era necesario ir a uno privado para poder elegir tu educación posterior.
ResponderEliminarEntiendo tus temores a llevar a Francisco al colegio publico por la mala experiencia que tuviste tu años atrás. Nos dices que esa mala experiencia no solo fue por parte de los compañeros ( algo que es grave) pero peor me parece que también lo fuese por profesores y personal técnico ya que ellos debieron poner freno a los compañeros.
En lo referente a tu padre espero que los servicios sociales os presten el apoyo necesario para poder atenderle debidamente porque por experiencia se lo duro que es y os desbordara a ti y tu madre.
Saludos.