Olá, queridas almas. 💛
Há histórias que fazem parte da nossa infância e que, de alguma maneira, gostamos de voltar a encontrar quando somos adultos. O Pinóquio é uma delas. Crescemos a ouvir falar daquele menino de madeira cujo nariz crescia sempre que dizia uma mentira, mas a história é muito mais do que isso. Fala de escolhas, de consequências, de amor, de crescimento e do caminho que cada um vai construindo ao longo da vida.
Foi precisamente essa história que ganhou uma nova vida na minha cidade, em Vila Nova de Gaia, com o Parque do Pinóquio, no Jardim Soares dos Reis. O espaço foi inaugurado em maio de 2024 e faz parte de uma rede de parques temáticos pensados para levar histórias infantis para os espaços públicos de Gaia, transformando-as em lugares de brincadeira, descoberta e aprendizagem.
Quando descobri este parque, achei imediatamente que seria um daqueles lugares que o Francisco iria gostar. E, sendo sincera, acho que também é impossível não sentir alguma curiosidade quando nos deparamos com um Pinóquio gigante no meio de um jardim. 😄
Um Pinóquio onde as crianças podem brincar
O grande protagonista do espaço é, naturalmente, o enorme Pinóquio que convida as crianças a entrar na própria história.
E não é apenas uma escultura para olhar. O boneco foi pensado como uma verdadeira estrutura de brincadeira. Numa das pernas existe uma pequena parede para trepar, enquanto na outra há um escorrega. Na zona do peito existe uma plataforma que funciona como miradouro, com acesso através de uma escada de corda, e nas costas existe outro escorrega. Há ainda uma rede na zona da barriga, criando diferentes possibilidades para os mais pequenos explorarem o espaço.
É precisamente isto que acho interessante nos parques temáticos: a criança não está apenas a olhar para uma personagem que conhece. Pode entrar na história, mexer-se, explorar, imaginar e criar a sua própria aventura.
E não é isso que queremos quando somos crianças?
Transformar qualquer lugar numa história?
Uma árvore numa floresta encantada.
Uma caixa de cartão numa casa.
Um sofá num barco.
E um Pinóquio gigante num mundo inteiro para descobrir.
Mais do que brincar
Ao redor do espaço estão presentes 36 trechos da história do Pinóquio, permitindo que as crianças e as famílias vão conhecendo ou recordando diferentes momentos da narrativa.
E existe uma mensagem particularmente bonita associada ao parque:
"Os teus pais podem indicar-te o caminho, mas são as tuas decisões que vão ditar o teu futuro. O caminho mais fácil raramente é o melhor."
E esta frase fez-me parar.
Porque, afinal, não é isso que fazemos enquanto pais?
Tentamos proteger os nossos filhos.
Tentamos mostrar-lhes o que achamos ser o caminho certo.
Tentamos evitar que sofram.
Mas chega uma altura em que temos de perceber que não podemos viver por eles.
Podemos ensinar.
Podemos aconselhar.
Podemos estar presentes.
Podemos estender a mão quando caem.
Mas são eles que terão de fazer as próprias escolhas.
E talvez seja essa uma das maiores lições que uma história como a do Pinóquio nos pode deixar.
Um espaço pensado para as famílias
A rede de parques temáticos de Gaia pretende criar espaços de recreio diferentes dos parques infantis tradicionais, com uma componente mais intergeracional e inovadora. A ideia é proporcionar momentos de lazer às crianças e às famílias, estimulando também a interação entre diferentes gerações.
Para mim, isto tem muito valor.
Porque um parque não precisa de ser apenas um lugar onde deixamos as crianças correr enquanto os adultos ficam sentados a olhar para o telemóvel.
Pode ser um lugar onde brincamos juntos.
Onde conversamos.
Onde recordamos histórias.
Onde os avós contam aos netos aquilo que também ouviram quando eram crianças.
Onde os pais deixam, por alguns minutos, de pensar nas tarefas que ficaram por fazer.
Onde simplesmente estamos.
E, nos dias de hoje, isso vale ouro.
Um passeio simples, mas cheio de significado
Uma das coisas que mais gosto nestes pequenos passeios é precisamente não ser necessário transformar tudo numa grande produção.
Não precisamos de ir para longe.
Não precisamos de gastar uma fortuna.
Não precisamos de planear uma viagem de vários dias para criar uma memória bonita.
Às vezes basta sair de casa, levar água, qualquer coisa para comer, deixar os miúdos brincar e permitir que o dia aconteça.
O Parque do Pinóquio pode ser precisamente isso: uma paragem num passeio por Gaia, um momento diferente durante as férias ou simplesmente uma tarde passada em família.
E se as crianças ainda não conhecerem bem a história do Pinóquio, melhor ainda.
Podem conhecê-la antes.
Podem ouvi-la depois.
Ou podem simplesmente chegar ao parque e deixar a imaginação fazer o resto.
E há uma coisa que não podemos esquecer
O parque foi concebido com a preocupação de criar acessibilidades para todos, integrada na visão da rede municipal de parques temáticos.
Para mim, esta questão é particularmente importante.
Quando falamos de espaços destinados às crianças, devemos pensar em todas as crianças.
Não apenas nas que correm.
Não apenas nas que trepam.
Não apenas nas que conseguem utilizar todos os equipamentos da mesma forma.
Uma cidade verdadeiramente inclusiva é aquela que procura criar espaços onde diferentes crianças possam brincar, participar e sentir que aquele lugar também é delas.
Ainda há muito para fazer na área da acessibilidade, em Gaia, em Portugal e no mundo. Mas cada espaço pensado desde o início para ser mais inclusivo é um passo na direção certa.
E eu gosto de ver esses passos.
Talvez o Pinóquio tenha uma lição para nós
No fundo, talvez seja isso que mais gosto nesta ideia.
Um parque infantil inspirado numa história que conhecemos desde pequenos acaba por nos recordar uma coisa que continuamos a aprender durante toda a vida: as nossas escolhas importam.
Não podemos escolher tudo o que nos acontece.
Não podemos controlar todas as circunstâncias.
Mas podemos escolher a forma como tratamos os outros.
Podemos escolher ensinar os nossos filhos a respeitar.
Podemos escolher incluir.
Podemos escolher ouvir.
Podemos escolher não deixar ninguém para trás.
E podemos escolher aproveitar mais os pequenos momentos.
Porque um dia, quando olharmos para trás, talvez não nos lembremos de todas as coisas que comprámos.
Mas vamos lembrar-nos daquele passeio.
Daquela gargalhada.
Daquela fotografia.
Da criança que não queria ir embora.
Do gelado que derreteu demasiado depressa.
E daquele dia aparentemente banal que, sem sabermos, se transformou numa memória para a vida inteira.
É por isso que quero levar o Francisco ao Parque do Pinóquio.
Não apenas para ele brincar.
Quero que descubra.
Que corra.
Que imagine.
Que faça perguntas.
Que se divirta.
E, quem sabe, que um dia se lembre daquele enorme menino de madeira e diga: "Eu fui lá com a mãe."
E talvez seja essa a verdadeira magia dos lugares assim.
Não são apenas parques.
São cenários onde a infância acontece.
E a infância, infelizmente, não fica connosco para sempre. 💛
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Escrito com alma e carinho,
💛 Daniela Silva
Autora do Alma Leve
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Mas que lindo esse parque e passeio!
ResponderEliminarNunca tinha ouvido falar e adorei conhecer !
Deve ter sido show o passeio! beijos, chica
Lindo parque. Me alegra que hayan pasado bien Te mando un beso.
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