Diz uma antiga lenda que o Sol e a Lua estavam apaixonados.
Amavam-se profundamente, mas pertenciam a mundos diferentes. O Sol tinha o seu lugar durante o dia, a Lua reinava durante a noite e, por mais que procurassem, nunca conseguiam permanecer juntos.
O Sol esperava por ela quando a noite começava. A Lua procurava-o quando a madrugada chegava. Mas havia sempre uma distância entre os dois.
Até que um dia, cansados de viver apenas de encontros breves, fizeram um pedido ao Universo.
“Deixem-nos encontrar-nos, nem que seja apenas por alguns minutos.”
E o Universo ouviu.
Chamou a Terra para o meio deles e, por um breve instante, os três ficaram alinhados. A Lua aproximou-se do Sol e, entre sombras e luz, aconteceu aquilo que parecia impossível.
Encontraram-se.
Não precisaram de ficar juntos para sempre.
Bastou aquele instante.
Talvez seja essa a parte mais bonita desta lenda: há amores que não precisam de durar uma vida inteira para serem verdadeiros. Alguns existem para nos ensinar que, mesmo quando tudo parece impossível, o Universo pode encontrar uma forma de aproximar dois corações.
E talvez nós também sejamos um pouco assim.
Às vezes passamos demasiado tempo a pensar que aquilo que desejamos está longe demais, que determinadas pessoas nunca voltarão, que certos sonhos já não têm lugar na nossa vida.
Mas a vida tem os seus próprios alinhamentos.
E quando chega o momento certo, aquilo que parecia impossível pode simplesmente acontecer.
Talvez seja isso que o céu nos recorda neste eclipse.
Que há encontros que esperam anos.
Que há distâncias que nem sempre significam despedidas.
E que, por vezes, basta um pequeno intervalo de escuridão para percebermos o verdadeiro valor da luz.
Autor da lenda desconhecido.
Com carinho, sempre.
Com alma, acima de tudo.
Daniela Silva 💛
Alma Leve
© Daniela Silva, 2026.

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