Olá, queridas almas 💛
Há dias que ficam guardados na memória para sempre. Não apenas pelas fotografias que tiramos, mas pelas emoções que sentimos. Este sábado foi um desses dias.
Foi a festa de final de ano letivo da escola do Francisco. Uma festa especial por muitos motivos. A sala dele foi considerada finalista, embora, como já vos tinha contado, o Francisco e mais dois meninos permaneçam mais um ano no pré-escolar por causa da idade. Além disso, a escola celebrou os seus 90 anos de existência. É uma escola muito especial para a nossa família, porque foi ali que eu cresci, foi ali que a minha mãe também passou parte da infância e foi também o dia em que se celebrou o aniversário da Irmã que fundou aquele colégio e que, infelizmente, já partiu. Tudo isto tornou a manhã ainda mais emotiva.
Gostava muito de vos mostrar fotografias minhas e do Francisco, mas, como alguns já sabem, continuo sem telemóvel desde dezembro. O Francisco deixou-o cair, sem querer, na sanita. Como já tinha quatro anos, optámos por não investir na reparação e, por agora, ainda aguardamos que surja a oportunidade financeira de comprar outro. Por isso, as fotografias que acompanham este texto pertencem à própria escola e a outros pais, a quem agradeço por terem registado estes momentos tão bonitos.
Confesso-vos uma coisa... até ao próprio dia, não me apetecia ir.
Sentia-me triste.
Não por causa do meu filho, mas por mim.
Já tive oportunidade de falar sobre isto com outra mãe e faço-o hoje com o coração tranquilo, porque não guardo qualquer mágoa. Nunca fui pessoa de guardar ressentimentos. Nem do pai do Francisco, que foi quem mais me magoou ao longo da vida. Acredito verdadeiramente que a maioria das pessoas não faz mal por intenção. Simplesmente, muitas vezes, não se apercebem.
Durante a preparação desta festa, senti-me excluída de alguns momentos. E isso custou-me. Não porque queira protagonismo, mas porque também gosto de participar. É verdade que não tenho mobilidade da cintura para baixo, mas as minhas mãos funcionam, a minha cabeça funciona e tenho tanto amor para dar como qualquer outro pai ou mãe. Gostava de ter contribuído mais.
Mas a vida também nos ensina a deixar algumas dores no lugar onde pertencem. E foi isso que fiz.
Quando chegou o grande momento dos finalistas entrarem, não consegui conter as lágrimas.
Vi o Francisco tão feliz...
Sei que, oficialmente, ele não é finalista. Mas aquelas crianças cresceram juntas. Aprenderam juntas. Acolheram-se umas às outras. Muitos daqueles meninos ajudaram o Francisco desde pequenino e vê-los agora seguir caminhos diferentes mexeu muito comigo. A amizade continuará, espero eu, mas já sabemos que não será igual. Uns irão para uma escola, outros para outra. Quanto ao Francisco, ainda não sei qual será o seu futuro. Fiz a inscrição no ensino público, porque tinha de o fazer, mas continuo a rezar para que consiga permanecer onde está. Ali sinto-o seguro, feliz, amado e verdadeiramente incluído.
Achei muito bonita a forma como a escola distinguiu quem ainda ficará mais um ano. Enquanto os finalistas usavam cartola e bengala, os restantes receberam uma linda coroa, o que faz todo o sentido numa escola construída em formato de castelo. Ainda assim, também receberam o seu diploma e o livro com o percurso vivido até agora. Um gesto simples, mas cheio de significado.
Depois vieram as atuações de cada sala.
O tema deste ano foi cinema e teatro, e que espetáculo maravilhoso foi!
Os mais pequeninos encantaram-nos com "A Pequena Sereia", a sala dos três anos trouxe "Aladino", os quatro anos surpreenderam com uma atuação inspirada no K-pop e os cinco anos terminaram com um divertido número de hip-hop.
Mas, para mim, o momento mais bonito foi outro.
Foi olhar para o Francisco e perceber o quanto evoluiu.
Nos anos anteriores tinha muita dificuldade em acompanhar as coreografias e as atividades. Este ano foi completamente diferente. Participou, sorriu, dançou e divertiu-se do princípio ao fim. E isso valeu mais do que qualquer fotografia.
Seguiu-se uma dança fantástica do corpo docente ao som da banda sonora de "Moana". Mais uma prova de que educar também passa por dar o exemplo e por saber brincar.
Depois chegou a vez de nós, os pais dos finalistas.
Apresentámos uma pequena peça de teatro intitulada "A Máquina do Tempo". A história levava-nos a viajar pelos vários anos que os nossos filhos viveram naquela escola, recordando momentos especiais de cada etapa. Eu tive uma participação muito pequena, interpretando Vincent van Gogh enquanto pintava um quadro. Foi simples, mas adorei fazer parte daquela aventura.
Peço desculpa a todos os pais que participaram em festas anteriores, mas esta foi, sinceramente, a festa mais bonita e divertida que alguma vez vi naquela escola.
Não apenas pelo espetáculo.
Mas pelo amor.
Via-se o empenho de cada família, de cada educadora, de cada auxiliar, de cada professor. Via-se que tudo tinha sido preparado com carinho para proporcionar às crianças uma recordação que levarão para sempre.
No final houve agradecimentos, alguns deles escritos por mim, a entrega dos presentes preparados pelos pais e muitos abraços cheios de emoção.
E antes de terminar este texto, permitam-me deixar uma mensagem muito especial.
À educadora Sandra.Não sei se alguma vez lerá estas palavras, mas preciso de as escrever.
Obrigada.
Obrigada por tudo o que fez pelo Francisco.
Lembro-me perfeitamente do dia em que fui falar consigo pela primeira vez. Chorei. Chorei muito. Tinha medo. Medo que o meu filho fosse maltratado, porque infelizmente todos conhecemos histórias que nunca deveriam acontecer. Mas desde o primeiro dia mostrou-me exatamente o contrário.
É uma daquelas pessoas raras que têm o coração no lugar certo.
Tem uma paciência que parece não ter fim.
Transmite calma.
Transmite amor.
Transmite bondade.
É pequenina em estatura, mas gigante como ser humano.
Obrigada por nunca desistir do Francisco, especialmente na fase mais difícil que atravessámos recentemente. Obrigada por o ensinar, por o apoiar, por o incluir e, acima de tudo, por gostar dele exatamente como ele é.
Obrigada também por acolher a nossa família. Como tantas vezes diz, "aqui somos todos uma família". E é verdade.
E desculpe se, por vezes, fui demasiado insistente. Sou apenas uma mãe muito protetora. Uma mãe preocupada. Uma mãe presente. Uma mãe que só quer o melhor para o seu filho.
Desejo-lhe, do fundo do coração, toda a felicidade do mundo, tanto na vida profissional como na pessoal.
E faço minhas as palavras da mamã Larissa:
"O seu lugar no Céu está garantido."
Há pessoas que ensinam a ler.
Outras ensinam a contar.
Mas existem aquelas que ensinam a amar.
E essas nunca se esquecem.
Escrito com alma e carinho,
Daniela Silva 💛
© Daniela Silva, 2026.



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