Fevereiro chega com passos cautelosos, quase em bicos de pés, como quem respeita o peso que janeiro deixou para trás. Não foi um mês fácil — pelo menos cá em casa — e sinto que o ano começou mais pesado do que o habitual. Ainda agora deu os primeiros passos e já trouxe desafios que me obrigaram a parar, respirar fundo e aceitar que nem tudo pode ser dito no tempo em que acontece. Há coisas que, por agora, precisam de silêncio. Um dia, quando puder, falarei.
Janeiro foi exigente emocionalmente, mas também foi um mês que me lembrou do essencial. No meio das dificuldades, houve um momento particularmente bonito: o aniversário do meu filho. Financeiramente, não foi possível fazer mais ou melhor. Fiz o que pude — e fiz com amor. O bolo foi feito em casa, por mim e pela minha assistente pessoal, e decorado com a Patrulha Pata, que tem sido a grande paixão dele. E sabem que mais? Ele estava genuinamente feliz. Feliz de verdade.
É impressionante como as crianças valorizam as coisas mais simples. Um bolo caseiro, uma decoração feita à mão, a presença. Não precisaram de excessos para criar uma memória bonita. Talvez seja uma lição que a vida insiste em repetir-nos: o valor raramente está no tamanho, mas na intenção.
Vou pedir autorização à minha assistente pessoal, a Gabriela, para partilhar convosco a receita do bolo que fizemos — tanto para a escola como para casa. As receitas foram iguais, mas a base é da sogra da filha dela, por isso, como deve ser, só a partilharei com consentimento.
Janeiro também foi um mês duro à escala global. As intempéries afetaram vários países e, em Portugal, sentimos bem a sequência de tempestades, em especial a tempestade Kristen. Perante a força da natureza, pouco podemos fazer além de lamentar, apoiar e ser solidários com quem perdeu tanto.
No mundo, continuo a olhar com atenção e preocupação. Fico aliviada por ver o conflito em Israel chegar ao fim, mas entristece-me profundamente que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia continue, assim como as constantes ameaças de novos conflitos. Assusta-me o discurso de algumas figuras políticas que parecem acreditar que podem decidir o destino do mundo como se ele tivesse dono. O mundo tem, sim, um único dono — e esse dono é Deus.
Este domingo, em Portugal, vamos às urnas para as eleições presidenciais. Que o voto seja consciente, informado e responsável. A democracia constrói-se também nestes momentos silenciosos, onde cada escolha conta.
Fevereiro começa, também, com um símbolo importante: o laço roxo, associado à conscientização, à reflexão e à dignidade humana. Que este mês nos convide a olhar com mais empatia, mais humanidade e menos pressa — para nós e para os outros.
Entro em fevereiro sem promessas grandiosas, mas com intenção. Intenção de cuidar, de estar presente, de honrar o que foi difícil e de agradecer o que, mesmo pequeno, foi bom.
Que venha fevereiro. Que venha com mais consciência, mais fé e mais simplicidade.
Com carinho,
Daniela Silva
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