O verão tem aquela fama romântica: sol, gelados, mar, dias longos e corpos dourados.
Mas nem tudo são postais bonitos e pores do sol partilhados.
Para muitos de nós, o verão traz medo, angústia e um silêncio pesado que paira no ar como a fuligem de algo que arde — ou já ardeu.
Há dias em que o céu deixa de ser azul e se veste de cinzento fumo.
Dias em que abrir a janela é arriscar não conseguir respirar.
E para quem, como eu, tem dificuldades respiratórias, esses dias não são apenas desconfortáveis — são angustiantes.
É como se o ar deixasse de ser um direito e passasse a ser um risco.
E sei que não estou sozinha: idosos, crianças, pessoas com asma ou outras condições respiratórias sentem o mesmo.
O calor extremo e o fumo tornam-se inimigos invisíveis.
E a verdade é que ninguém devia ter medo de simplesmente respirar.