Se agosto fosse uma cor, seria âmbar queimado.
Aquele tom entre o dourado e o ferrugem, que lembra o pôr do sol nos campos secos, o trigo maduro, as tardes quentes que se estendem até ao silêncio da noite.
Agosto tem o cansaço dos dias longos, o peso da pausa que se adia.
É o mês do meio do nada e do tudo ao mesmo tempo.
É quando o calor deixa de ser promessa de alegria e passa a ser teste à resistência.
É quando o corpo pede sombra, mas a alma ainda procura luz.
Agosto é o mês da espera.
Espera pelas vindimas, pelas trovoadas de fim de tarde, por setembro que virá com promessas novas.
É o mês em que a pele guarda marcas: do sol, do sal, das memórias.
E o coração coleciona silêncios que só quem vive devagar consegue escutar.
Se agosto fosse uma cor, seria também a cor da maturidade.
Não tem a alegria leve de junho, nem o brilho festivo de julho.
Mas tem uma beleza branda, quase escondida.
Uma força que não precisa de barulho para ser sentida.
Agosto é o tempo de respirar fundo.
De rever o caminho, mesmo sem andar.
De aceitar o que não se fez.
De agradecer o que se tem.
E tu?
Se agosto fosse uma cor… qual seria a tua?
Com carinho,
Daniela Silva ✨️