26 maio, 2026

Infância, Não é a Bagagem que se Deixa para Trás


Há notícias que nos ficam atravessadas no peito. Não por serem apenas chocantes, mas porque mexem com aquilo que temos de mais humano dentro de nós. O caso da mãe e do padrasto franceses que abandonaram duas crianças em Portugal foi uma dessas notícias que me deixou profundamente revoltada. E, sinceramente, quanto mais penso nisso, menos consigo compreender como alguém é capaz de fazer uma coisa destas.

Como mãe, não consigo imaginar o medo daquelas crianças. A sensação de abandono, a confusão, o desespero. Porque uma criança pode não entender tudo, mas sente. Sente quando não está segura, sente quando é rejeitada, sente quando quem devia protegê-la falha. E isso parte-me o coração.

Vivemos numa sociedade em que muitas vezes parece haver mais preocupação em proteger a imagem de quem faz mal do que em defender verdadeiramente as vítimas. E eu concordo totalmente com a Melânia Gomes quando disse que os criminosos deviam ter o rosto exposto, e não apenas em casos excecionais como este. Porque sinceramente, nunca consegui perceber porque é que quem destrói vidas continua tantas vezes escondido atrás de anonimatos e proteções, enquanto as vítimas carregam marcas para o resto da vida.

E não, isto não tem a ver com ódio nem com incentivar violência. Tem a ver com responsabilidade. Com assumir as consequências dos próprios atos. Porque hoje em dia parece que tudo é desculpabilizado, tudo é suavizado, tudo tem de ser entendido. E atenção, eu sei que existem problemas psicológicos, traumas e histórias difíceis. Mas há limites. Há atitudes que simplesmente não têm justificação possível. Abandonar crianças é uma delas.

Ao mesmo tempo, no meio de tanta maldade, também houve pessoas que fizeram a diferença. Quem encontrou aquelas crianças, quem ajudou, quem não fingiu que não viu. E isso também merece ser lembrado. Porque ainda existem pessoas boas neste mundo, pessoas capazes de agir com humanidade quando mais importa.

Este caso fez-me pensar muito naquilo que é ser verdadeiramente pai e mãe. Porque gerar uma criança qualquer pessoa consegue. Mas proteger, cuidar, amar e estar presente, principalmente nos dias difíceis, isso já não é para todos.

No fim do dia, o que mais desejo é que aquelas crianças consigam encontrar estabilidade, amor e segurança no meio de tudo aquilo que viveram. Porque nenhuma criança merece crescer a sentir que foi abandonada pelo próprio mundo.

Com carinho,

Daniela Silva

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