Há notícias que nos ficam atravessadas no peito. Não por serem apenas chocantes, mas porque mexem com aquilo que temos de mais humano dentro de nós. O caso da mãe e do padrasto franceses que abandonaram duas crianças em Portugal foi uma dessas notícias que me deixou profundamente revoltada. E, sinceramente, quanto mais penso nisso, menos consigo compreender como alguém é capaz de fazer uma coisa destas.
Como mãe, não consigo imaginar o medo daquelas crianças. A sensação de abandono, a confusão, o desespero. Porque uma criança pode não entender tudo, mas sente. Sente quando não está segura, sente quando é rejeitada, sente quando quem devia protegê-la falha. E isso parte-me o coração.
Vivemos numa sociedade em que muitas vezes parece haver mais preocupação em proteger a imagem de quem faz mal do que em defender verdadeiramente as vítimas. E eu concordo totalmente com a Melânia Gomes quando disse que os criminosos deviam ter o rosto exposto, e não apenas em casos excecionais como este. Porque sinceramente, nunca consegui perceber porque é que quem destrói vidas continua tantas vezes escondido atrás de anonimatos e proteções, enquanto as vítimas carregam marcas para o resto da vida.
E não, isto não tem a ver com ódio nem com incentivar violência. Tem a ver com responsabilidade. Com assumir as consequências dos próprios atos. Porque hoje em dia parece que tudo é desculpabilizado, tudo é suavizado, tudo tem de ser entendido. E atenção, eu sei que existem problemas psicológicos, traumas e histórias difíceis. Mas há limites. Há atitudes que simplesmente não têm justificação possível. Abandonar crianças é uma delas.
Ao mesmo tempo, no meio de tanta maldade, também houve pessoas que fizeram a diferença. Quem encontrou aquelas crianças, quem ajudou, quem não fingiu que não viu. E isso também merece ser lembrado. Porque ainda existem pessoas boas neste mundo, pessoas capazes de agir com humanidade quando mais importa.
Este caso fez-me pensar muito naquilo que é ser verdadeiramente pai e mãe. Porque gerar uma criança qualquer pessoa consegue. Mas proteger, cuidar, amar e estar presente, principalmente nos dias difíceis, isso já não é para todos.
No fim do dia, o que mais desejo é que aquelas crianças consigam encontrar estabilidade, amor e segurança no meio de tudo aquilo que viveram. Porque nenhuma criança merece crescer a sentir que foi abandonada pelo próprio mundo.
Com carinho,
Daniela Silva
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