Pela casa, já se sentia o aconchego da época: o cheirinho a canela dos sonhos recém-fritos, o som distante de um disco de Natal antigo a tocar na sala e o calor do forno a preparar o bacalhau para o jantar. Mas, naquele ano, Francisco não pensava em brinquedos nem em surpresas dentro de embrulhos brilhantes. Havia um outro desejo que morava no seu peito — o de ser compreendido sem precisar dizer uma única palavra.
Desde pequeno, Francisco percebia o mundo de forma diferente. Era sensível aos sons, atento aos detalhes e falava pouco — mas sentia muito. A sua mãe, paciente e meiga, conhecia cada gesto do filho e sabia que, mesmo calado, ele dizia tanto.
Enquanto ajudava a colocar a estrela no topo da árvore, Francisco sentiu uma melodia suave vinda da varanda. Curioso, caminhou em bicos de pés até lá, empurrando devagar a porta envidraçada. E ali, envolta num cachecol lilás e com um gorro colorido, estava uma menina com olhos tão curiosos quanto os seus. Ela também não falou. Apenas sorriu — e foi o suficiente para ele perceber que aquele era o encontro que o seu coração esperava.
Sentaram-se juntos num cobertor felpudo no chão da varanda, com uma manta a cobrir-lhes as pernas. A mãe trouxe-lhes chocolate quente em canecas com renas desenhadas. Entre goles tímidos e olhares cúmplices, trocaram pequenos presentes feitos à mão: ele ofereceu-lhe um bonequinho de massa de sal, e ela deu-lhe um envelope com um desenho feito a lápis — dois bonecos de mãos dadas debaixo de uma árvore iluminada.
Não trocaram palavras, mas não foi preciso. Entenderam-se nas pausas, nos olhares demorados e na quietude partilhada. Era como se, num mundo tão barulhento, ambos tivessem encontrado o silêncio certo para serem eles mesmos.
Nessa noite, quando as luzes da árvore cintilavam e o calor da lareira abraçava a casa, Francisco deitou-se com o coração leve. Não foi pelos presentes, nem pela ceia. Foi pelo encontro que guardaria para sempre — aquele em que, mesmo sem dizer nada, se sentiu totalmente compreendido.
E foi assim que, naquele Natal, Francisco descobriu que o amor, quando é verdadeiro, não precisa de palavras. Basta apenas ser sentido.
Com carinho,
Daniela Silva ✨️

Uma bonita fábula sobre compreensão e cumplicidade.
ResponderEliminarSiempre es bueno reunirse con quien amas sea navidad o no. Te mando un beso.
ResponderEliminarBom domingo de Paz, querida amiga Daniela!
ResponderEliminar"O amor, quando é verdadeiro, não precisa de palavras. Basta apenas ser sentido."
Tão limda sua.sensibilidade!
Tenha dias de dezembro abençoados!
Beijinhos fraternos
bonjour daniela comment tu va ce matin
ResponderEliminarpasse un bon dimanche bise ton amie thérèse