Olá, queridas almas 💛
Hoje não vos quero falar de beleza, maquilhagem ou novidades. Hoje quero falar de amor. Daquele amor antigo, simples e silencioso que mora para sempre dentro de nós, mesmo quando a pessoa já partiu há muitos anos.
Hoje é noite de São João, uma das minhas celebrações preferidas do ano. Mas este dia também terá sempre outro significado para mim. Era o aniversário da minha avó paterna, a minha avó Miquelina. E por isso achei que fazia sentido escrever-lhe este pequeno pedaço de coração em forma de homenagem.
A verdade é que eu não tenho tantas memórias dela como o meu irmão ou os meus primos. Sou a mais nova dos nove netos e, quando cheguei, a minha avó já estava mais doente e cansada da vida. Tinha apenas seis anos quando ela partiu. Os meus primos e o meu irmão foram praticamente criados por ela. Têm histórias, rotinas e memórias muito maiores do que as minhas. E durante muito tempo isso entristeceu-me um pouco. Sentia quase inveja boa de quem ainda conseguia recordar a voz dela melhor do que eu.
Mas hoje percebo que o amor não se mede pela quantidade de memórias. Às vezes bastam pequenos fragmentos para uma pessoa ficar eternamente dentro do nosso coração.
E uma das coisas de que mais me lembro nela era da sua bondade. Claro que tinha defeitos, como qualquer ser humano. Não gosto daquela ideia de transformar quem partiu em pessoas perfeitas, porque ninguém o é. Mas meu Deus… como ela era boa. Daquelas pessoas simples que talvez nunca tenham tido muito dinheiro, mas tinham um coração enorme. E às vezes quem tem pouco é precisamente quem mais sabe partilhar.
Lembro-me de irmos com ela à mercearia e de ela comprar um travesseiro de chocolate para cada neto. Hoje talvez pareça uma coisa pequena, mas naquela altura era quase um mimo especial. E acho bonito como certas memórias da infância ficam ligadas a coisas tão simples. Não eram brinquedos caros. Não eram grandes luxos. Era um bolo de chocolate comprado com carinho por uma avó que queria ver os netos felizes.
Também me lembro de quando ficava com ela. O meu pai levava-me muito cedo, ainda de noite, quando o céu estava escuro e o mundo parecia silencioso. E eu ia dormir entre ela e o meu avô. Hoje, olhando para trás, percebo o quanto essa memória me aquece o coração. Aquela sensação de segurança, de aconchego, de família… coisas que só valorizamos verdadeiramente quando crescemos.
E depois havia o cheiro da casa dela.
Acho que nunca me vou esquecer disso.
O cheirinho do café de coar espalhado pelo ar logo de manhã. Aquele café forte e quente que ela bebia com sopas de pão. Não sei se em todo o país lhe chamam assim, mas eram pedaços de pão seco mergulhados no café. Uma comida tão simples, tão antiga e tão típica de pessoas de outros tempos, que sabiam aproveitar tudo sem desperdiçar nada.
Hoje em dia fala-se muito de luxo e conforto, mas sinceramente? Há memórias que valem muito mais do que qualquer riqueza material. E para mim, aquele cheiro a café misturado com pão e casa antiga continua a significar amor.
Lembro-me também de ficar a ver desenhos animados enquanto os outros chegavam. A casa era pequena. Muito pequena até. Mas cabia toda a gente lá dentro. E talvez seja isso que mais me emociona quando penso nos tempos antigos. As pessoas tinham menos espaço, menos dinheiro e menos coisas… mas pareciam conseguir estar mais próximas umas das outras.
Tenho aquela imagem tão viva na cabeça de todos apertadinhos no sofá com ela. Risos, conversas, confusão boa de família. E lembro-me também de irmos ajudá-la no campo com o meu avô. Hoje olho para trás e percebo o quanto essas vivências simples ensinaram sem ninguém precisar de fazer discursos.
A minha avó Miquelina talvez nunca tenha imaginado que um dia alguém escreveria sobre ela num blog. Mas a verdade é que as pessoas simples deixam marcas gigantes. E às vezes são precisamente essas mulheres discretas, trabalhadoras e generosas que se tornam o verdadeiro coração de uma família inteira.
Hoje, neste São João, entre luzes, música e tradição, o meu pensamento vai também para ela.
E gosto de acreditar que certas pessoas nunca partem completamente enquanto continuam vivas nas nossas memórias, nos nossos gestos e até nos cheiros que de vez em quando ainda parecem voltar sem aviso.
Parabéns, avó 💛
Escrito com alma e carinho,
Daniela Silva 💛
© Daniela Silva, 2026.

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