02 abril, 2026

Dia Mundial da Consciencialização do Autismo


 Abril começa de forma diferente por aqui. Esta semana, por exceção, não há post amanhã, mas sim hoje, porque há datas que não podem passar em silêncio. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo e, como mãe de um menino com autismo, não poderia deixar este momento passar em branco. Sinto que tenho o dever, não só como mãe, mas como pessoa, de usar este espaço para dar voz a uma realidade que ainda é tão mal compreendida. Se este texto chegar a mais alguém, se fizer pensar, já terá valido a pena.

Antes de mais, dou as boas-vindas a abril. Um mês especial, carregado de significado para mim: o mês do meu aniversário, do aniversário do blog, do meu irmão e de tantas pessoas importantes na minha vida. Abril chega com esse misto de celebração e reflexão. Vivemos tempos difíceis, e quem tem fé sabe que há sinais que não podem ser ignorados. Eu acredito no poder da oração, acredito que quando muitos se unem em intenção, algo pode mudar. E é com essa esperança que entro neste novo mês: a esperança de paz, de alívio, de justiça… nem que seja por todos os inocentes que sofrem em silêncio.

Falar de autismo é, acima de tudo, falar de compreensão. O autismo não é uma doença, é uma condição. São pessoas únicas, com a sua forma própria de ver, sentir e viver o mundo. O problema não está neles — está muitas vezes na forma como a sociedade insiste em não compreender o que é diferente. Vivemos numa realidade onde ainda se julga demasiado rápido, onde se rotula sem conhecer, onde se exige que todos encaixem no mesmo molde. Mas ser diferente nunca foi, nem nunca será, algo errado.

O meu filho está no nível 1 de suporte, considerado o mais leve, mas isso não significa ausência de desafios. Há dias bons e dias difíceis, como em tudo na vida. Mas o que mais custa não são as dificuldades — é o olhar dos outros. É o julgamento. É aquela ideia errada de que se trata de “má educação” ou “falta de limites”. Nenhuma criança é “assim” por escolha. Há sempre uma razão, uma necessidade, algo que precisa de ser compreendido e não condenado. E nenhuma mãe deveria sentir que tem de se justificar constantemente pelo comportamento do seu filho.

Casos recentes mostram-nos o quanto ainda falta evoluir. Situações em que crianças com autismo são mal interpretadas, mal tratadas, simplesmente porque quem está à volta não sabe reconhecer os sinais. E isso assusta. Porque o autismo não tem uma aparência única, não vem com rótulos visíveis. E é precisamente por isso que a empatia devia ser o ponto de partida, sempre. Antes de julgar, observar. Antes de condenar, tentar compreender.

A verdadeira inclusão não passa por separar, mas por integrar. Não se trata de criar mundos à parte, mas de adaptar o mundo que já existe para que todos possam fazer parte dele. Cabe-nos a nós, como pais, educar para a aceitação, para o respeito, para a ajuda. Mas cabe também à sociedade e ao Estado fazer a sua parte, criando condições reais de inclusão, seja na educação, nos espaços públicos ou no dia a dia. Pequenos gestos fazem toda a diferença. Um exemplo disso é a existência de espaços adaptados para pessoas com hipersensibilidade sensorial, como acontece no Estádio do Dragão, que já criou condições para que pessoas com autismo possam assistir a jogos com mais conforto. Isto é inclusão a sério.

No fundo, o que desejo é simples: mais empatia, mais consciência, mais humanidade. Que consigamos olhar para o outro sem pressa de julgar, que saibamos acolher o que é diferente e que cada um faça a sua parte para construir um mundo mais justo. Abril começa hoje com esse pedido silencioso, mas firme. Um mundo melhor começa em cada um de nós.

Com carinho,
Daniela Silva

© 2026 Daniela Silva – Todos os direitos reservados

8 comentários:

  1. Daniela como bien nos dices a las personas con autismo a primera vista no las distinguimos de las demás. Pero es el trato cercano con ellas cuando nos damos cuenta de esta condición.
    Yo personalmente no conozco personas con autismo, aunque recuerdo cuando mi sobrino pequeño tenía la edad que tiene tu hijo Francisco en su colegio había uno de similar edad y llevaba una persona de apoyo junto a él. Lo supe porque mi hermana me lo indico ya que yo hubiera pensado en ser una profesora, puesto que era en un acto creo de carnaval en el colegio.

    Saludos.

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  2. Oi, Daniela, adoro tudo o que escreve. Por isso, permito-me falar de uma situação que me parece peculiar. Tenho uma sobrinha-neta que está com pouco mais de dois anos e que até hoje não forma frases, não conversa no sentido literal. Diz palavras soltas, mas não as agrupa em frases. É linda, risonha, simpática, irrequieta. Ouvi dizer que essa demora para falar seria um dos sinais de autismo. Pode comentar sobre isso?

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    1. Olá Jotabê. Posso falar do meu caso, o meu filho falava desde cedo, não frases, mas palavras soltas. Poucas semanas depois de completar 2 anos, não dizia nada, passou a ser o som "mmmmmmm". Ao princípio não liguei, todos os meses ele tinha uma mania nova e pensei que era isso, mas prolongou-se e fui com ele à pediatra que reencaminhou para consulta de desenvolvimento, foi logo recomendado terapia da fala, ocupacional e escola. Começou com as terapias porque foi dificil conseguir vaga na escola, mas assim que entrou cometçou a melhorar e em pouco tempo começou a falar. Ainda hoje não fala corretamente, mas dá para perceber e a cada dia está melhor.

      No entanto, só tivemos o diagnóstico quando fez 4 anos, pois por norma os testes são feitos a partir dos 4 anos, por causa do desenvolvimento a não ser que haja sinais evidentes mais cedo, por exemplo, o pai do meu filho tem um colega que tem um filho meio ano mais que o nmeu e aos 18 meses detetaram porque é surdo.

      Se me permitir, dou um conselho. Devem procurar já opinião médica, até pode não ser nada, sei de casos que as crianças não têm nada e acabam por falar no tempo delas, mas só os médicos podem dizer. Mas também pode ser autismo, pode ser um atraso no desenvolvimento ou outro problema que se tiver opinião médicz, quanto mais cedo tiver tratamentos, melhor pra ter uma vida "normal" e independente.

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  3. No todos somo iguales y debemos ser más empaticos y tratar a todos cona mabilidad. Te mando un beso.

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  4. Hello Daniela, during this Easter weekend where the dawn unfolds its laces of light,
    May your heart open like a golden orchard under the spring dew;
    May the azure bells spread their legendary harmonies in your sky,
    And may hope rise in you like a gentle and proud dove;
    Because Easter sets forth on our paths bursts of dawn and light,
    And friendship blossoms there forever, like an eternal spring that thrives.
    Kisses, Régis.
    🕭⚜ ⚜🕭

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  5. Um texto que é uma reflexão. Obrigada amiga.
    Que tenha uma Páscoa abençoada.
    Um beijo.

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  6. Olá Dani, ótimo texto importante refletirmos sobre tudo isso, bjs

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  7. Independentemente da publicação que amei ver e ler, passo a fim de desejar uma PÁSCOA muito feliz, se possível, junto de quem mais ama.
    .
    “” Pensamentos e Devaneios poéticos ““
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