06 janeiro, 2026

Janeiro Branco: Vozes que Não se Calam

Um dos meus objetivos para 2026 é continuar a escrever no blog, mas também tornar alguns dos posts em áudio, para quem não gostar de ler ou não tem tempo para o fazer. Recorro à ajuda da inteligência artificial para a narração, porque sou portadora da Ataxia de Friedrich, que também afeta a dicção, e desta forma consigo garantir que todos me entenderão. Não vou tornar todos os posts em áudio, apenas os mais importantes ou de escrita criativa, aqueles que guardam um pedaço do coração e da alma.

Este post é importante. Todos os meses do ano têm um laço de uma cor, associado a uma campanha de consciencialização. Janeiro é branco. Não pela cor da neve, nem por ser uma cor fria que associamos ao inverno, mas porque a campanha pretende relembrar a violência dos homens contra as mulheres e, atrevo-me a dizer, cada vez mais frequente, também a violência das mulheres contra os homens. Branco porque é a cor da paz. A cor da tranquilidade. A cor que nos lembra que o respeito e a calma devem existir em qualquer relação.

Eu vivi na pele a violência doméstica. Para quem não me conhece, o meu filho é fruto dessa relação. Mas quem sou eu, na fila do pão? Em 2026, todos os dias continuam a chegar-nos notícias de casos de violência doméstica, sem contar aqueles que nunca são divulgados. Sim, em Portugal, é um crime público, mas de que serve se eles muitas vezes não são punidos? Não há cadeia, a menos que chegue a um extremo, mas mesmo assim, muitas vezes, não é a violência que é julgada, e sim outros fatores que desviam o foco da dor real.

Cabe-nos a nós, mulheres e vítimas, não permanecer caladas, por mais cega que a justiça pareça. A nossa voz é a força que atravessa os muros do silêncio e que, um dia, fará a diferença. Mesmo que o caminho seja lento, tenho fé que um dia a justiça irá tirar a venda dos olhos, reconhecer a verdade e honrar a dignidade de quem sofre. Cada relato, cada denúncia, cada gesto de coragem é uma luz no escuro, uma promessa de que a violência não pode, nem deve, ser normalizada.

E mesmo na dor, há espaço para esperança. Para mim, 2026 é também sobre a construção de um futuro onde a paz, o amor e o respeito estejam à frente de tudo. Onde o meu filho cresça sabendo que o silêncio não é a única resposta, que a coragem não é apenas um gesto isolado, e que a vida, mesmo depois de tanta tempestade, pode florescer. Continuarei a partilhar a minha história, a minha voz, os meus pensamentos, na esperança de que alguém se sinta menos só, mais compreendido, e talvez mais forte para também lutar.

💛 Formas de Apoio e Recursos para Vítimas de Violência Doméstica

Se estás a viver uma situação de violência doméstica, lembra-te: não estás sozinha(o). Existe apoio, carinho e caminhos para te proteger. Aqui ficam alguns recursos importantes em Portugal:

📞 Linha de Apoio Imediato

Linha Nacional de Emergência Social — 144
👉 Atendimento gratuito, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Uma linha de apoio confidencial que pode orientar-te sobre os passos a seguir, serviços disponíveis e apoio psicológico.

☎️ Apoio Específico à Violência Doméstica

APAV — Associação Portuguesa de Apoio à Vítima
📞 800 202 148 (linha gratuita)
🌐 apav.pt
Oferece apoio psicológico, jurídico e social — presencial ou por telefone — para vítimas de violência doméstica e seus familiares.

🚨 Forças de Segurança

Se estás em perigo imediato, liga 112.
As autoridades podem intervir de forma rápida e segura para proteger-te.

⚖️ Apoio Jurídico

Comissões de Proteção de Vítimas de Violência Doméstica
👉 As comissões municipais oferecem apoio jurídico gratuito e acompanham processos de proteção, medidas de afastamento, etc.
Verifica na tua Câmara Municipal ou Junta de Freguesia.

👩‍⚕️ Apoio Psicológico

Muitos centros de saúde e unidades de cuidados primários oferecem apoio psicológico gratuito ou a baixo custo.
Pede ao teu médico de família para ser encaminhada(o) para apoio emocional.

🏠 Alojamento Seguro

Em algumas situações, existem programas e casas de abrigo para vítimas de violência doméstica e os seus filhos — especialmente quando a permanência em casa não é segura.
Pede informações à APAV ou às comissões municipais.

📌 Aplicações de Segurança

Há apps e ferramentas digitais que permitem pedir ajuda de forma discreta e rápida, ou guardar informação importante de forma segura (por exemplo, contactos de emergência, provas, etc.).
Pesquisa por apps de emergência pessoal ou suporte a vítimas.


Lembra-te disto: pedir ajuda não é fraqueza — é coragem. Não tens de enfrentar isto sozinha(o).
E, mesmo que hoje pareça difícil, há caminhos de proteção, suporte e amor à tua espera.
Tu mereces respeito, segurança e paz.

Com carinho,
Daniela Silva ❤️

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5 comentários:

  1. Muito importante teu post que pode ser um alerta! Bem explicadinho tudo aqui!
    beijos, tudo de bom,chica

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  2. Daniela! Que postagem magnífica! Aqui no Brasil parece estar acontecendo um surto de feminicídio, pois quase a toda hora sai notícia de mulher assassinada pelo marido, namorado, ex-namorado, ex-marido, uma tragédia. Eu acho que esse tipo de crime deveria merecer a lei do "olho por olho", embora não tenhamos pena de morte no Brasil (o que é uma pena). Porque causa nojo e revolta ler notícias assim (mulheres assassinadas na frente dos filhos, mulher sendo arrastada pelo carro do idiota com quem se relacionou. Esse caso é muito triste, pois a coitadinha teve as duas pernas amputadas, mas morreu depois).

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  3. Como nos dices la violencia del hombre sobre la mujer es mayoritaria, aunque hay casos contrarios como nos dices. Aquí en España el pasado año hubo si no recuerdo mal 46 mujeres asesinadas y en lo que llevamos de año ya asesinaron a una. Yo conozco a una que sufrió malos tratos y a su es marido le ingresaron en prisión y no se si aún le siguen teniendo colocada la pulsera en que controlan sus movimientos. En ocasiones que no funcionaba correctamente solía tener cerca agentes de la Guardia Civil (policías).
    Supongo que tu antipatía hacia Chega se deba en parte a que como su homónimo español Vox no reconozca este tipo de violencia.
    Para este tipo de violencia en España existe el 016 numero que una vez usado se debe borrar ya que no deja rastro en la factura telefónica, existe una aplicación llamada ALERTCOPS. El numero de emergencias, que creo europeo, 112, emergencias Guardia Civil 062 y Policía Nocional 091. Esta información la tengo de una tarjeta que recogí en el acuartelamiento de la localidad mientras un amigo hacía la denuncia de la perdida de su documentación personal. Se da la circunstancia que el agente que le redacto la denuncia es el esposo de la agente encargada de este tipo de violencia.

    Saludos.

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  4. Me gusto tu relato, te mando un beso

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  5. Todo tipo de violência deve mesmo ser denunciada.

    Nova tirinha publicada. 😺

    Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

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