05 maio, 2026

Quando as Palavras Tentam Chegar Onde o Abraço Não Chega


Hoje trago um texto diferente de todos os que já escrevi. Não é uma sequência, nem sei se voltarei a fazê-lo desta forma, mas aprendi a respeitar aquilo que sinto. E hoje senti que devia escrever. Há momentos em que as palavras não são apenas palavras, são presença, são cuidado, são uma forma de chegar onde o corpo não consegue.

Este texto é dirigido ao Jotabê, colega e amigo deste mundo dos blogs. Um abraço escrito, daqueles que gostávamos de dar pessoalmente, mas que a vida, e neste caso a distância de um oceano, não permite. No fundo, este texto é também para todos nós que já perdemos alguém, mas nasce sobretudo de uma preocupação sincera com quem está agora a viver essa dor de forma mais recente e mais crua.

Perder alguém que amamos nunca é simples. E quando se trata de uma vida partilhada, de um casamento longo, de uma história construída a dois, a dor ganha uma dimensão ainda mais profunda. Pelo carinho com que falas, percebe-se que existia amor, cumplicidade, respeito e união. E quando tudo isso é verdadeiro, a ausência torna-se ainda mais difícil de aceitar. Não é apenas uma pessoa que parte, é uma parte da nossa própria vida que se transforma para sempre.

A morte é a única certeza que temos, mas isso não nos prepara para quando ela chega. Nunca estamos verdadeiramente preparados para perder alguém que faz parte da nossa estrutura emocional, do nosso dia a dia, da nossa história. E por mais que se tente racionalizar, a dor não se explica - sente-se. Quem já passou por isso sabe que não há forma “certa” de reagir, nem um tempo definido para ultrapassar. Cada um vive o luto à sua maneira, ao seu ritmo.

O luto tem fases, e todas elas são legítimas. Primeiro, a incredulidade, aquele sentimento de que não pode ser verdade. Depois, a dor mais intensa, o vazio, a ausência que pesa em tudo. E, com o tempo, vai surgindo uma forma diferente de sentir - não deixa de doer, mas transforma-se. A dor dá lugar à saudade, às memórias, aos momentos que ficam guardados com amor. Não é esquecer, é aprender a viver com a ausência de uma forma mais serena.

No meio de tudo isto, há algo que permanece: o amor. Esse não desaparece. Continua presente nas lembranças, nos gestos, nas palavras que ficaram por dizer e nas que foram ditas no tempo certo. E é esse amor que, aos poucos, ajuda a reconstruir o equilíbrio, mesmo que nunca volte a ser como antes.

Recebe este meu abraço, mesmo que em palavras. E lembra-te que não estás sozinho. Há sempre alguém que sente contigo, mesmo em silêncio.

Com carinho,
Daniela Silva

© 2026 Daniela Silva - Todos os direitos reservados

11 comentários:

  1. Daniela totalmente de acuerdo con lo que nos comentas que sabiendo que lo único que tenemos seguro de que un día llegara es la muerte la nuestra y la de nuestros seres queridos, siendo esta ultima la que debemos asimilar.
    La nuestra si es durante una larga enfermedad hay personas que desean un rápido desenlace casi mas por las personas cercanas que por dejar de sufrir ellos.
    Cuando esa muerte es tras una larga enfermedad de un ser cercano el sufrimiento ante el desenlace puede ser menos traumático que de ser de una forma repentina como puede ser un infarto letal. En estos casos cada persona puede expresar sus sentimientos de diferentes formas.

    Saludos.

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  2. Un texto reflexivo, muchas gracias y un abrazo

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  3. Nem sei o que dizer, nem sei como agradecer tanto carinho. Só posso dizer que te admiro muito e gosto de ler suas publicações, sempre intensas, delicadas e saborosas. Obrigado, Daniela.

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  4. Belo texto. Há poucos dias uma amiga anunciou a perda mãe. Enviei mensagem para ela que tinha algumas semelhanças com esta.

    Beijo

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  5. Demonstrar afeto é a melhor maneira de obter reciprocidade.

    Nova Tirinha Publicada. 😼

    Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

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  6. Relendo sua postagem: como você foi precisa e carinhosa! Novamente, obrigado!

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  7. Olá, Daniela, que texto lindo, sensível!
    Essa dor, acho que é a pior dor que podemos ter,
    vai direto à alma, ao coração.
    Um texto muito oportuno para revisarmos nossas dores.
    Uma feliz semana, obrigada pela linda partilha.
    Beijinho, Daniela.

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  8. Hola, Daniela.
    Mi ordenador no me traduce al Español y no entiendo muy bien, por eso no te comento.
    Te dejo un saludo cordial.

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